
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
ser ou não ser

domingo, 23 de setembro de 2007
conta gotas

deixo o pensamento fluir livremente, deixando marcas em tudo o que deseja...
gota a gota, tento transmitir o que me vai no peito, estes devaneios, estes estados de espírito que me lavam a alma...
e sinto-me vazia, oca de sentir e de dar...
só por um momento, pois eis que volta esta torrente de sons, sílabas e sentimentos...
e deixo o pensamento fluir, livremente, gota a gota...
reflexos

passo a explicar... a nossa maneira de pensar, de sentir, devia ser suficiente para que nós agíssemos de acordo com o que somos...
no entanto, deixamo-nos levar por situações, por conveniências, por pessoas, que nos empurram para uma forma de agir que não a nossa... faz parte da vida...
o que tento, com insistência, é evitar esses reflexos de mim, que embora estejam lá, límpidos, por vezes estão um pouco distorcidos... e tento, com persistência, reconhecê-los em mim e especialmente nos outros...
porque há quem ainda mantenha uma imagem (quase) fiel ao original...
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
palavras
refugio-me nas palavras, mas escritas, que não têm rosto, não respondem..
aceitam o que lhes damos e nunca nos contrariam...
uns olham-nas e não percebem... outros veêm-nas e compreendem...
quando se ouvem, nada nos dizem... quando se escutam levam-nos a lugares que pensamos não existirem dentro de nós!
não quero falar... escrevo!
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
em bom português

segunda-feira, 17 de setembro de 2007
dois

A meu lado dormes e talvez sonhes, mas eu estou só…
O teu cheiro invade os meus sentidos, o teu toque alimenta a minha alma, e eu tão só…
Algo me impede de te tocar, de te falar… o teu despertar não ajuda, porque estás longe, e eu estou só…
Olho-te e penso para onde foste, e porque me deixaste… só…
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
invicta
correndo o risco de me tornar redundante...
não sei se sabem a história por trás da frase do brasão da cidade do Porto, sem bem que todos a conhecemos como Invicta.
pois bem, aqui fica um pouco de cultura (resumida) que fica sempre bem a um tripeiro (isso é outra história)...
foi em julho de 1832, por altura do 'Cerco do Porto' (conhecem o nome?) que tudo começou.

a cidade já tinha o título de 'mui nobre e sempre leal' visto que o patriotismo e o liberalismo sempre foram valores muito estimados pelos tripeiros. pois bem, durante o cerco, em que se travava a batalha entre liberais de D.Pedro IV e miguelistas, as tropas de D.Pedro ficaram sitiadas no Porto.
o cerco prosseguiu e findos 3 meses, já tudo escasseava na cidade. O inverno aproximava-se, as maleitas, o tifo, a cólera, e os liberais desesperavam...
mas ainda resistiram! após vários fervorosos ataques, e mais de 1 ano depois, os absolutistas retiram de uma vez por todas...
e pronto! a cidade permeneceu invicta este tempo todo...
ainda estão a ler? que paciência...
piruetas
- veio do trabalho?
-*suspiro* é verdade...
- na 2ª vou pra lá todo o dia...
- ai é? isso é que é pior... mas não está doente...?
- não, não... vou com o meu filho.
o que dizer? há 10 anos que este pai recebeu uma notícia que o deixou devastado... e há 10 anos que luta com o filho (agora com 23 anos) pelo futuro, dia a dia...
são histórias como esta que me fazem pensar como somos pequenos, e como somos egoístas, sem tempo uns para os outros, e sobretudo, sem paciência, sem compreensão...
quando de um momento para o outro deixamos de poder estar com aquele amigo com o qual não tivemos tempo de ir tomar um café, para pôr a conversa em dia...

para aqueles que levaram um pontapé da vida, e se levantaram...
para os que continuam a andar em frente, mesmo quando tudo parece andar para trás...
a minha sincera admiração
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
palavras

sábado, 8 de setembro de 2007
sra dos remédios
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
um
aconchegava a manta que me cobria as pernas, esperando-te
fechava os olhos descansando o pensamento, esperando-te
perguntava-me se virias, esperando-te
chorava em segredo, esperando-te
esperei e morri, esperando-te
piruetas
a apanhar do chão pedaços de mim... por vezes a vida prega-nos tais rasteiras que não deixa espaço para mais nada
hoje aqui, amanhã...
por muitas piruetas que consiga dar, caio sempre no chão duro... a realidade não muda só com a força do pensamento... e exige que os pedaços sejam apanhados e colados...
e é isso que dói, que dilacera o ser, que nos deixa o corpo em farrapos
'e a vida continua...'
ou não...
encosta-te a mim
Tudo o que eu vi,estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
brilhante!
sou, claro, suspeita, porque gosto mesmo muito da mente criativa de jorge palma.
mas não canso de me espantar com a simplicidade das palavras que conseguem dizer exactamente o que nos vai na alma...
quero-te bem...
terça-feira, 4 de setembro de 2007
mau humor
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
em bom português...
Cântico negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
cinema paraíso

sábado, 1 de setembro de 2007
bon voyage
podemos utiliza-la e atá nem sentiremos assim tanto a falta da quarta perna, mas é nos momentos em que menos esperamos que nos apercebemos que ela não está lá.
mas mesmo à distância ela pode apoiar-nos e não nos sentiremos assim tão privados da sua companhia...
não te preocupes. não vamos arranjar outra perna para pôr no teu lugar.
o vazio tem dono!...